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Microclima

Gabriel Del Sarto

Um domingo de manhã com sol, tão fácil

apaixonar-se, acordar mais tarde,

talvez em Abril

ou nas súbitas variações primaveris

do final de Fevereiro,

é fácil apaixonar-se

– apaixonei-me por ti muitas vezes no cais –

do azul, das conversas

dos amigos, sorrisos.

São estes céus insuperáveis, sempre demasiado breves

as horas para as pupilas,

a condicionar as nossas mentes,

as psicologias,

e já não sei viver

na esterilidade sem sentido de culpa.

O que poderia ser – as folhas

nesta avenida comprida, os papéis

nos grandes contentores da freguesia, de madeira – entre nós.


As dissonâncias.

A nossa fronteira são os Alpes

quase azuis, a neve de ontem à noite

faz-nos falar, sentia-se que estava para cair.

Se caísse sobre a cidade sobre a praia

como em oitenta e cinco, as escolas

fechadas, a irrealidade de tudo – outros desesperos.

Os chuviscos tardios nas avenidas que se alagam

facilmente nos lados

e à noite muitas vezes se encontra uma névoa amanteigada

como se estivéssemos no parmigiano. Seguem-se

mal-estares, olheiras, por factos

tão repentinos

e depois as danosas marulhadas, mas também estas

com a sua misteriosa violência, também estas

são qualquer coisa que deve existir.

 

 

 

 

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